Rayssa Francielly dos Santos Alves
CONSTRUÇÃO, APRIMORAMENTO E VALIDAÇÃO DE UM PROTOCOLO PARA CONSULTA DE ENFERMAGEM ÀS MÃES DE FILHOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Resumo
Este estudo construiu, aprimorou e validou um Protocolo para Consulta de Enfermagem às Mães de Filhos com Transtorno do Espectro Autista, visando subsidiar o enfermeiro na identificação de diagnósticos, intervenções e implementações de enfermagem voltadas às necessidades em saúde dessas mulheres, considerando o impacto das transições vivenciadas no cuidado aos filhos. A pesquisa foi realizada na cidade de Maceió-AL, no ano de 2025, tendo como referencial teórico a Teoria das Transições de Afaf Meleis. Adotou-se uma abordagem metodológica de natureza mista, que integrou procedimentos quantitativos e qualitativos. A opção por essa combinação metodológica justifica-se pela complexidade das etapas do estudo, que demandaram tanto a análise numérica dos dados quanto a compreensão subjetiva das experiências humanas envolvidas. O processo investigativo foi organizado em cinco etapas inter-relacionadas: (1) revisão de escopo sobre as necessidades em saúde de mães de filhos com transtorno do espectro autista; (2) construção do protocolo para consulta de enfermagem às mães de filhos com transtorno do espectro autista; (3) estudo exploratório com narrativas de vida de mães de filhos com transtorno do espectro autista; (4) aprimoramento do protocolo a partir dos achados do estudo exploratório; e (5) validação do protocolo com os juízes especialistas. Assim, a etapa exploratória do estudo, desenvolvida por meio das narrativas de vida, constituiu um momento central da pesquisa, pois permitiu aprofundar a compreensão das experiências vivenciadas por quatro mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista, em acompanhamento na Associação de Equoterapia de Alagoas, além de favorecer a identificação de elementos fundamentais para o aprimoramento do Protocolo. Durante a coleta de dados, emergiram relatos de transformações significativas nas rotinas familiares, nos vínculos afetivos e nas condições emocionais e de saúde dessas mulheres. As narrativas demonstraram não apenas a sobrecarga física e emocional, e os sentimentos de solidão e invisibilidade, mas também aspectos de resiliência, aprendizado e fortalecimento materno. Desse modo, tais elementos mostraram-se essenciais para a identificação de novos diagnósticos. Além disso, a etapa de validação envolveu a participação de cinco juízes enfermeiros especialistas, com experiência na área da saúde e no cuidado materno de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, que avaliaram o instrumento quanto à clareza e à pertinência dos itens, distribuídos em dois blocos analíticos: 10 itens de clareza e 11 de representatividade. Para a análise quantitativa, adotou-se o Índice de Validade de Conteúdo, que possibilitou mensurar o grau de concordância entre os avaliadores e a consistência interna dos itens. Os dados qualitativos, oriundos das sugestões dos juízes, foram sistematizados em categorias temáticas, o que contribuiu para o refinamento e a consolidação do protocolo final. Assim, o protocolo validado configura-se como uma ferramenta prática e cientificamente embasada, destinada a subsidiar a atuação do enfermeiro nas consultas às mães de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, proporcionando uma abordagem mais empática, direcionada e sustentada em fundamentos teóricos sólidos. Portanto, esta pesquisa evidencia a relevância da escuta sensível e do olhar ampliado às mães, reconhecendo suas necessidades emocionais, sociais e de saúde como dimensões indissociáveis do cuidado de enfermagem. Espera-se que o produto final contribua para a qualificação da prática assistencial, estimule novas investigações sobre a temática e aprofunde a compreensão da relação enfermeiro–mãe–filho com Transtorno do Espectro Autista, favorecendo intervenções mais humanizadas e efetivas no âmbito da saúde mental e da atenção integral.
